Pedalando na cidade

Como usuário da bike como meio de transporte, não só desportivo, ciclismo urbano é algo que me chama muito a atenção. Não grupos de pessoas que saem para pedalar juntas na cidade, mas pessoas que se locomovem no cotidiano usando a bicicleta. É um tema recorrente nos meus textos, mesmo o último tendo sido vários anos atrás.

Este tipo de uso nem sempre funciona, dependendo de distância e topografia do caminho, mas faz parte da cultura do norte da Europa e das pequenas cidades provavelmente do mundo inteiro.

Aí vem a questão de quanto o tamanho da cidade influencia o uso urbano da bicicleta.

A primeira cidade que vivi na Alemanha foi uma cidade universitária de 130 mil habitantes, onde boa parte das pessoas não tem carro e fazem tudo de bicicleta. Trabalho, estudo, compras, vida social e que mais. Não existe lugar na cidade que seja “longe” e as bicicletas estão integradas “na paisagem”.

Depois, mudando para Munique, 1,4 milhões de habitantes, o cenário é um pouco diferente. Existe muito mais tensão nas ruas, mas mesmo assim o uso da bicicleta é bastante intenso. As peculiaridades variam desde pedalar com a roupa de trabalho, até um kit esportivo completo, passando por usar coletes amarelos e refletivos. A cidade é maior, mas bastante plana, e é parte da cultura do pais morar perto do trabalho, evitando grandes deslocamentos.

Até aí, nada de novo. Recentemente duas informações adicionais passaram pela minha frente. Estive em Zurique, uma cidade de 400 mil habitantes, e centro bancário da Suíça, onde o uso da bicicleta é semelhante ao de cidades pequenas. Em todas as partes pessoas se locomovem pedalando: trabalho, lazer, e pela forma orgânica que isso acontece, pelo menos aparentemente não existe um estado de tensão com os veículos motorizados. Esta integração, semelhante ao que acontece na Holanda, por exemplo, contrasta drasticamente com o que vi em Londres um par de anos atrás. Londres parece São Paulo neste sentido. As bicicletas parecem um intruso no fluxo da cidade. Os heróis que saem para ir trabalhar com suas bicicletas usam roupas refletivas e disputam cada milímetro de rua com o mar de carros e scooters que domina o ambiente.

Sendo Londres uma cidade de mais de 8 milhões de habitantes, a correlação entre a dificuldade de pedalar e o tamanho da cidade é bastante clara, mas possivelmente não é o único elemento. Aparentemente os números mostram um transito não violento, com uma dezena de ciclistas entre as fatalidades anuais.

Entra a segunda informação. Lendo por acaso um artigo sobre pedalar em Manchester (aproximadamente do mesmo tamanho de Zurique), a autora do mesmo reclamava da falta de duchas e ambientes apropriados para se arrumar para trabalhar depois de pedalar até a empresa. A mesma comenta que em países como Holanda e Alemanha as pessoas estão acostumadas a pedalar com as roupas de trabalho, o que no caso dela não era possível dada a grande distância entre a casa e o trabalho e que isso era algo comum no país. Aqui entra claramente a questão cultural. Enquanto em alguns países as pessoas tentam morar a uma distância razoável do trabalho e pedalar este percurso, parece que na Inglaterra as pessoas querem pedalar para o trabalho, mesmo que os percursos sejam longos.

Não resta dúvidas que o tamanho da cidade aumenta a tensão no trânsito, mas a componente cultural, envolvendo a consciência da presença da bicicleta e a aceitação da mesma como participante efetiva do sistema viário, tem um papel fundamental no desenvolvimento do ciclismo urbano.

Radio Corsa Especial TDF 2018 #3

Radio Corsa Especial Tour de France 2018 Volume 3 no ar!

Eu Cris da Rocha, Danilo Ricco e Bruno Victor, com direito a “passagem satélite” de Estela Farah, comentamos o final do Tour de France 2018, que foi vencido por Geraint Thomas.

Tour de France 2018 – Podium Paris

Thomas assumiu a liderança nos Alpes e não a perdeu até Paris, seguido por Tom Dumoulin e Chris Froome. Peter Sagan mostrou seu nível de competitividade levando sua sexta camisa verde de pontos, igualando o record de Erik Zabel, e que outras ainda estão por vir.

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Radio Corsa Especial TDF 2018 #2

Radio Corsa Especial Tour de France 2018 Volume 2 no ar!

Eu Cris da Rocha, Danilo Ricco e Bruno Victor, comentamos o andamento to Tour de France 2018, que tem Geraint Thomas como líder.

Greg van Avermaet – Tour de France 2018

A prova teve até o momento belas e “sanguinárias” etapas como a com chegada em Roubaix, que foi recheada de tombos, ou a de Alpe d’Huez, sempre bela vista.

A nota negativa fica para o desclassificação do italiano Gianni Moscon, que definitivamente está no esporte errado, distribuindo socos e agressões por onde passa.

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Radio Corsa Especial TDF 2018 #1

Radio Corsa Especial Tour de France 2018 Volume 1 no ar!

Eu Cris da Rocha, Estela Farah e Bruno Victor, comentamos o percurso, start list e primeiros dois dias do Tour de France 2018, com direito a muita confusão antes do início e vários acidentes já no comecinho.

O programa ficou extra longo, mas vale a pena ouvir até o final!!!

Tour de France 2018 – Percurso

Chris Froome, que tinha sido “desqualificado” para correr o Tour por causa da investigação de uso de Salbutamol no domingo passado, teve o caso encerrado pela UCI no dia seguinte, o que o libera para correr a prova.

Aparentemente a ASO, empresa organizadora do Tour, resolveu processar o Velogames por violação de direitos autorais, e o Fantasy do Tour não deve acontecer. Caso você tenha feito sua equipe antecipadamente e o Fantasy do Velogames volte ao ar, a liga do Radio Corsa para o Tour de France 2018 é 442866711 .

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Radio Corsa #65

Radio Corsa 65 no ar!!

Eu Cris da Rocha, Bruno Victor e Danilo Ricco, falamos primeiro do tópico quente do final de semana que foi o veto da ASO (empresa organizadora do Tour de France) à participação de Chris Froome, tendo em vista o caso não resolvido de uso de salbutamol.

Antes mesmo de terminar de editar o programa, a UCI causou uma reviravolta na situação e inocentou Froome, o qual fica liberado para competir normalmente e mantêm seus títulos da Vuelta 2017 e do Giro deste ano.

Chris Froome (photo: LaPresse)

Comentamos dos resultados das provas de uma semana que são usadas como preparação para o Tour que começa este final de semana. Falamos também dos resultados dos campeonatos nacionais, notícias em geral e respondemos algumas das perguntas que recebemos via Twitter!

A notícia triste, ou pelo menos apreensiva foi o acidente da pistard Kristina Vogel, em uma colisão na pista durante um treino. Torcemos pela recuperação em breve.

A liga do Radio Corsa no Fantasy do Velogames para o Tour de France 2018 é 442866711 .

A equipe vencedora da nossa liga para o Dauphine, foi o Cycling Peba!! Infelizmente continuamos sem hex-stickers do Radio Corsa, então este é o nosso cartão de parabéns!!!! Super especial!!!! 🙂

Radio Corsa – Cartão de Parabéns Dauphine

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Radio Corsa #64

Radio Corsa 64 no ar!!

Episódio colcha de retalhos!! Eu Cris da Rocha, Rafael Martino, Bruno Victor, Danilo Ricco e Estela Farah, continuamos um pouco a discussão sobre o Giro d’Italia 2018, respondendo as perguntas que recebemos via Twitter e seguindo um papo cheio de curiosidades!

Giro d’Italia 2018

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Radio Corsa Especial Giro 2018 #4

Radio Corsa Especial Giro d’Italia 2018 Volume 4 no ar!

Eu Cris da Rocha, Rafael Martino, Bruno Victor, Danilo Ricco e Estela Farah, discutimos o final e o resultado do Giro d’Italia 2018!

Chris Froome – Giro d’Italia 2018 – Podium

O Giro foi vencido por Chris Froome (Sky), depois de um ataque solo fulminante de 80 km na etapa rainha da prova.

Como o assunto dava pano para manga e começamos uma nova parte do programa, respondendo perguntas enviadas pelo Twitter, tivemos que dividir o episódio. Esta semana a discussão do Giro, semana que vem as perguntas e outros assuntos falados no programa.

A equipe vencedora da nossa liga no nosso Fantasy do Velogames, foi o CanastraTeam!! Enquanto não temos hex-stickers do Radio Corsa, este é o nosso cartão de parabens!!!! Esperamos que goste 🙂

Radio Corsa – Cartão de Parabéns

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Radio Corsa Especial Giro 2018 #3

Radio Corsa Especial Giro d’Italia 2018 Volume 3 no ar!

Eu Cris da Rocha, Rafael Martino e Danilo Ricco, falamos sobre a segunda semana do Giro d’Italia 2018!

Simon Yates – Giro d’Italia 2018

O Giro continua sendo liderado por Simon Yates (Mitchelton-SCOTT), que vem consolidando sua liderança e abrindo tempo suficiente para manter, ou recuperar a liderança depois do contra-relógio!!

Se você tem uma equipe no Fantasy do Velogames, entre para a nossa liga!

League Name: Radio Corsa
League Code: 442866711

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O Giro em Israel ou quando esporte e política são duas faces de uma mesma moeda

Com o Giro tendo deixado terras israelenses e já percorrendo terras italianas, junto a caravana veio a reboque um enorme questionamento: o que o Giro d’Italia foi fazer em Israel? Inspirado pela postagem “Hidden Motivations” no blog Inner Ring, resolvi eu trabalhar melhor o assunto ou, pelo menos, trabalhar o assunto em língua portuguesa.

O artigo do Inner Ring nos traz a seguinte fala logo em seu terceiro paragrafo: “To those who say ‘sport and politics shouldn’t mix’ I sympathise, we’re here for the sport”, ou, traduzindo: “Com aqueles que dizem ‘esporte e política não devem se misturar’ eu me identifico, nós estamos aqui para falar de esporte.” Desde já, adianto, desde que o esporte é esporte e, mais precisamente, desde que qualquer tipo de expressão cultural surgiu no mundo, a política sempre esteve envolvida. Assim sendo, já deixo claro, estamos aqui para falar de política e não apenas de esporte.

Para evidenciar o que disse acima, olhemos para a história do irmão mais velho da volta italiana, o Tour de France. Como é sabido por todos, o Tour foi uma invenção de Henri Desgranges, editor-chefe do jornal L’Auto, que queria uma maneira eficiente de vencer a competição por vendas contra o Le Vélo. Ao fundar o Tour, o L’Auto teria o monopólio sobre as notícias da competição.

O que é pouco falado, entretanto, é a real motivação por trás dessa luta por leitores. A verdade é que o L’Auto não apenas era um jornal profundamente nacionalista, como a maioria da imprensa francesa pós-Guerra Franco-Prussiana, mas também era um jornal profundamente antissemita. À época do surgimento do Tour, estava em voga na sociedade francesa a discussão acerca do Caso Dreyfuss, um oficial do exército francês acusado de repassar segredos militares aos alemães. Contra ele havia uma grande prova: o fato de ele ser judeu. Assim, nos debates acerca do caso da imprensa francesa, de um lado estava o dono do Le Vélo, pró-Dreyfuss, e do outro, os donos do L’Auto, contrários a Dreyfuss em linhas antissemitas.

É importante também frisar a importância do Tour para a ideia da nacionalidade francesa. Embora essa não fosse a ideia central por trás da criação da competição, o Tour (o Giro e, principalmente, a Vuelta também) foi importante para consolidação do nacionalismo francês: num país, até hoje, muito centralizado politica e economicamente em Paris, levar publicidade a outras regiões francesas, especialmente ao interior, foi importantíssimo para a consolidação de uma identidade nacional.

Voltando ao Giro, sua criação se deu nos moldes do Tour, tirando a parte do antissemitismo, com a ideia de vender mais jornal, embora a Gazzeta já tivesse criado a Milano-San Remo e o Giro di Lombardia. Com o tempo e a ascensão do fascismo na Itália, o Giro não passaria incólume a tentativa de instrumentalização por parte do governo de Mussolini. Entretanto, a prova foi salva dos fascistas pelo machismo italiano devido ao fato de sua cor principal ser o rosa.

Com essa breve introdução de como esporte e política sempre andaram interligados no ciclismo, voltemos aos dias atuais.

O Giro deste ano se iniciou em Jerusalém Ocidental, isto é, a parte israelense da cidade, porém, o Giro apenas anunciou a largada acontecendo na cidade de Jerusalém, em Israel. Pode nos parecer uma diferença insignificante, mas seu significado político é imenso. Jerusalém é uma cidade dividida entre palestinos e israelenses e, por isso, compõe tanto o território do Estado Israel, como o do Estado Palestino. Ao divulgar a cidade de partida do Giro como “Jerusalém, Israel” o Giro ajuda a consolidar a posição israelense de que Jerusalém é apenas de Israel, indo na direção contrária não apenas da União Europeia, mas contra a posição majoritária no mundo todo. Essa posição também ajuda a sinalizar o enfraquecimento da ideia da solução de dois Estados, ideia esta já profundamente frágil desde o anúncio da mudança da embaixada estadunidense para Jerusalém.

Isto por si só já evidenciaria o uso do Giro como uma arma de diplomacia esportiva por parte de Israel, porém exata função vai muito além. Aqueles que tem o costume de assistir provas de ciclismo por streamings, especialmente os da Eurosport, devem se lembrar das várias propagandas de incentivo ao turismo em Israel. O Giro sair de Israel só é mais uma etapa dessa iniciativa. Através do turismo, Israel pode ajudar a contrabalancear a imagem que cada vez mais vem sendo construída em relação ao país, especialmente devido às suas posições cada vez mais agressivas em relação à causa palestina, ao Irã e às populações árabes.

A necessidade de Israel em atacar essa imagem se deve a vários fatores. Primeiramente, a imagem do país, especialmente com os europeus, tem se degradado. Os últimos anos viram uma ligeira mudança na posição europeia com Israel: se antes, Israel via pouca oposição na maioria das atitudes tomadas por seu governo, hoje o país dá de encontro com críticas vindas do velho continente, especialmente em relação às políticas de assentamentos. Pesa contra Israel também sua posição inflexível em relação ao Irã, como por exemplo, em relação às recentes acusações contra o país islâmico e seu programa nuclear. As mais recentes acusações de corrupção contra seu primeiro-ministro também não ajudam muito.

Por essas e outras Israel tenta melhor sua imagem aos olhos do mundo, principalmente aos da Europa. O Giro é uma ótima oportunidade para isso, além de mostrar a capacidade de organização de Israel (algo que, diga-se, não precisa ser reafirmado), ajuda a mostrar sua população como um povo vibrante e acolhedor, além de mostrar as paisagens do país.

Esse não é o único exemplo dentro do ciclismo. Usos políticos mais descarados já existiram no passado, como foi o caso do, felizmente, finado Giro di Padania, realizado na Itália.

Acontecendo no norte da bota, o Giro di Padania vinha como uma tentativa de consolidar a existência da inventada região da Padania, criada como uma tentativa de diferenciar o norte italiano do sul por neofascistas daquele país, afirmando a superioridade do norte sobre o sul. A prova foi uma criação de Michelino Davico, senador italiano pela Lega Nord, partido notório por ser, não apenas defensor das ideias já demonstradas, mas também notoriamente racista, xenofóbico e autoritário.

Ideia parecida às duas acimas vemos nas equipes bancadas por governos no ciclismo. Exemplos são vários, desde a Euskatel-Eukadi, até as recentes e gigantes Bahrein-Merida e UAE-Emirates, todas às estas equipes serviram ou servem pra muito mais do que fomentar o ciclismo nacional de cada um dos patrocinadores, servem também como outdoors ambulantes e extremamente bem-sucedidos. Exemplos disso são muitos e não caberiam todos aqui.

Não apenas mirando grandes eventos, como Copas do Mundo de esportes coletivos e Olimpíadas, o esporte como um todo tem profundas ligações com a política, seja em pequena ou grande escala. A saída do Giro de Israel ou sua finalização em Roma, Milão ou Turim, todos esses casos não são meros eventos celebrando o esporte e seus competidores, mas sim ações políticas pensadas e instrumentalizadas por aqueles que as promovem. Por isso, não se espantem quando esporte e política se misturam, afinal, o esporte é também um campo de disputa política, espantoso é achar que isso não deva ocorrer.