Bicicletas na Cultura Popular – As Bicicletas de Belleville

Estava eu outro dia em meu trabalho pensando que este novo site precisa de mais material alem do podcast, e tive a ideia de escrever essa NÃO periódica coluna sobre bicicletas na cultura popular.
Decidi começar pela animação franco-canadense “As Bicicletas de Belleville”(Les triplettes de Belleville) de 2003.

Capa do filme

O Garoto Campeão e seu cachorro Bruno

A primeira parte do filme conta a historia de um garoto timido de Paris chamado Campeão. Sua avó portuguesa Madame

Souza fazia de tudo para ver o neto contente, mas em muitas tentativas era frustrada, até que ela descobre a paixão do pequeno neto pelo ciclismo e lhe compra o triciclo.  Rapidamente o garoto pega gosto pelo brinquedo e começa a levar tudo mais a sério, sendo incentivado por sua avó que se torna sua treinadora.

Então o filme mostra uma versão mais urbanizada de Paris, e Campeão treinando nas ruas de paralelepipedo da cidade, e mantendo uma rígida dieta controlada por sua avó que o leva aos treinos e faz ajustes mecanicos em sua bicicleta.

Mas a verdadeira história do filme começa quando Campeão é raptado por misteriosos homens de terno preto durante o Tour de France, e sua avó parte em sua busca e encontra no caminho 3 velhas cantoras de cabaré que passam a ajuda-la.

Bom, eu não posso mais fazer revelações sobre o enredo, para não estragar o filme, mas vamos falar sobre os detalhes em si. O filme foi indicato ao Oscar de melhor animação em 2003 e foi o primeiro filme recomendando para espectadores acima dos 13 anos de idade para a categoria, concorrendo contra o forte candidato “Procurando Nemo” da Pixar. Os traços da animação são bem interessantes e caricaturescos e o local onde a história se centraliza, o distrito de Belleville foi construido com base nas Paris, Nova Iorque e Montreal da decada de 50, e os habitantes do distrito são caricaturas estereotipicas norte-americanas da epoca. Um fato interessante é que o personagem principal, Campeão possue um nome geralmente usado em cães, e seu companheiro canino possue um nome geralmente usado em humanos, Bruno. Não só os nomes são invertidos, mas como tambem o cachorro possue muito mais expressões faciais, emoção e personalidade nesse filme com poquissimas falas, uma comparação óbvia de atletas com animais.

Trigemeas de Belleville e Madame Souza

Madame Souza e sua constituição franzina fazem o espectador se cativar facilmente, e quando junta com as Trigemeas de Belleville, conseguem dar um ar cômico e leve a animação.

Certa surrealidade é dada pelo cachorro Bruno, e as cenas em que ele late para o trem passando em sua janela, ou quando ele está sonhando com seu dono desaparecido.

Agora, vamos falar sobre o que importa para nós por um momento, as cenas com bicicletas. Elas são muito interessantes foram desenhadas em computador, mesmo com traço bidimensional, e possuem uma fluidez e movimento que praticamente as tornam vivas, mas não a ponto de ofuscar os personagens ao redor da cena. Durante o Tour, a animação consegue expressar muito bem a festa que os franceses fazem, e o sofrimento dos que sobraram para trás, na subida do Mount Ventoux com narração real de uma rádio francesa da decada de 50.

Campeão já adulto

Adiante, após o sequestro do personagem Campeão, o filme passa a tratar de maneira bem subjetiva sobre doping, apostas esportivas e alguns outros temas, mas o topico geral do filme é a busca frustrada de sonhos e ponderar se tudo realmente vale a pena.

Um excelente filme, mas recomendo que voce assista se tiver gosto por coisas mais “cabeça” ou “cults” ou se estiver em um dia de ócio ou MUITA paciencia.