Entrevista com Chiara Passerini esposa do campeão mundial Cadel Evans.

Chiara, o pilar de Evans

Esposa do campeão mundial, Chiara Passerini conta com exclusividade ao Brasil a vida de esposa de um profissional.

Chiara Passerini não é uma ciclista profissional, nunca participou de competições, mas é parte importante do título de campeão mundial de estrada. Esposa do australiano Cadel Evans, Chiara é o principal alicerce para o introvertido ciclista e responsável pelo fortalecimento psicológico de Evans, essencial para a reviravolta na carreira do novo dono da camisa arco-íris. Chiara Passerini confirma no ciclismo o ditado que diz que ao lado de todo grande homem há uma grande mulher.

Entrevistar Chiara permite um ponto de vista diferente no mundo das duas rodas, o de uma mulher, que convive os altos e baixos de um ciclista. Com certeza agora é um ponto alto da carreira (depois de um fraco Tour de France aonde ele era apontado como favorito e um terceiro lugar na Vuelta a España) do marido e de Chiara.

1 – Como é a convivência com um homem que é conhecido no mundo inteiro, você muda um pouco do seu estilo de vida por causa do Cadel?
– Digamos que no momento em que nossa vida é um pouco mais concentrada para o que ele faz! Eu tento ajudá-lo tanto quanto posso e quando ele está longe, aproveito esse tempo para fazer minhas coisas, mas viver com Cadel é muito fácil, ele é um homem muito simples que gosta de coisas simples.
2 – Às vezes (eu vi quando você postou no twitter) você se sente mal quando têm um acidente no pelotão e Cadel está envolvido, você fica muito preocupada?
– Siiim! Eu sempre fico muito apreensiva quando há uma descida ou quando chove ..
3 – Quais são as dificuldades de um casamento com um homem que passa bastante tempo fora de casa?
– Uhm … A dificuldade é quando ele volta para casa! Ah ah … Sério, eu tenho o meu trabalho e coisas para fazer enquanto ele está fora, assim que eu tento me manter ocupada. Eu não vejo uma dificuldade real para não vê-lo todos os dias (ele está afastado por uma média de “apenas” 3-4 meses), provavelmente porque quando ele volta para casa estamos mais felizes do que quando ele deixou.
4 – Você anda de bicicleta? Você nunca pensou em ser um ciclista profissional?
– Eu tenho uma bicicleta de estrada e eu ando de vez em quando .. Eu sou um pouco talentosa! Mas eu não gosto de treinar e de subir montanhas … Eu nunca seria um boa ciclista.
5 – Quando Cadel viaja pela Europa você vai com ele, e quando ele viaja fora da Europa, você o acompanha?
– Eu vejo algumas das mais importantes provas como o Tour (apenas algumas etapas) ou corridas perto de casa, mas não tão frequentemente. Eu viajo com ele todos os anos para a Austrália e também fui à China para assistir os Jogos Olímpicos.
6 – Antes de iniciar uma corrida, Cadel tem alguma superstição? Por exemplo rezar, ter amuleto, ou algo assim?
– Nada do que vem até a minha mente agora …
7 – Te disse um dia que sou Brasileiro, você já está aqui? Ou, você já pensou em estar aqui?
– Não, nunca estive no Brasil, mas estar no Brasil faz parte da minha “lista de desejos” para quando um dia pararmos de viajar à trabalho e viajar por prazer..
8 – Quando você e Cadel estão juntos, e ele não tem corrida, o que vocês mais gostam de fazer?
– Nós vivemos uma vida simples, gostamos de passar algum tempo juntos, andar por aí com nosso cachorrinho, ver a família e amigos. Se ele vem de uma corrida difícil, nós viajamos por alguns dias e passamos algum tempo em um lugar calmo, longe de todos.

9 – Quando você está com Cadel, ele só pensa em corridas, bicicletas ou sobre coisas diferentes? E as vezes quando estão conversando você diz: Cadel, pare. Não vamos mais falar sobre bicicletas por hoje.

– As vezes nos flagramos conversando sobre ciclismo mesmo se nós não queremos, por isso depois de um tempo falamos: “ok, outro assunto!”. Mas é difícil quando o ciclismo é uma parte tão grande da sua vida. De qualquer modo, sim, podemos falar de qualquer tipo de coisas, ele gosta de falar de coisas diferentes de ciclismo.
10 – Como você conheceu Cadel? Em uma competição, amigo, acidente do destino?
Vamos dizer que um acidente do destino”, mas programada por um amigo! Fomos apresentados um ao outro por um amigo comum (que tinha certeza de que formariamos um belo casal!)
11 – Qual a sua profissão?
– Eu ensino de música nas escolas primárias e em uma academia de música. Eu também cuido do site do Cadel fazendo atualizações regulares.

Segunda parte da entrevista feita pós-mundial
12 – Quanto você gritou, quando você viu Cadel perto do linha de chegada em Mendrisio?
– Eu gritei muito, quero dizer um monte durante a prova (ainda estou sem voz!), Mas eu não gritei quando Cadel atacou. Eu só me afastei do circuito e sentei num lugar tranquilo para me acalmar .. . Eu não poderia assistir!
13 – Você acha que equipe Cadel não é boa o suficiente para apoiá-lo nos Grand Tours? (Giro, Tour e Vuelta), pois a equipe Australiana fez um grande trabalho domingo. Você acha que ele deveria ir para outra equipe? como a nova equipa de Lance Armstrong, Radio Shack?
– Ele tem um contrato com a Silence-Lotto até o final de 2010, assim que ele vai estar com eles por mais um ano .. Digamos que a Silence não é tão forte quanto as outras equipes!
14 – Agora você é uma campeã do mundo (você faz parte da vitória Cadel) Qual são seus planos para o futuro? Viajar, descansar com Cadel, treinar mais?
– Eu adoraria dormir um pouco .. muitas coisas emocionantes aconteceram e eu continuo pensando neles! Para o futuro, Cadel tem mais 5 corridas na Itália, então depois vamos direto para a Austrália. Novembro será um mês bem ocupado, pois Cadel e eu estaremos promovendo livro sobre ele por toda Austrália. Mas ele já estava previsto há um tempo atrás. Esperamos encontrar alguns dias de folga para férias longe de tudo!

Essa entrevista foi feita com a colaboração de Igor Oliveira, Daniel Balsa, Rafael Martino e Cristiano da Rocha

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About Igor Oliveira

Um fã de ciclismo desde quando tinha 7 anos e viu o Lance Armstrong se reerguer. Acompanho o pelotão desde 1998 e sei de umas curiosidades que quase ninguém lembra… por isso o apelido, ou ex-apelido de “O oraculo da informação”