Bicicletas na cultura popular: Road to Roubaix

Olá pessoas, aproveitando que o radio corsa voltou, vim aqui continuar a coluna que comecei ano passado e nunca continuei. E pra isso, decidi usar um documentário que assisti ontem: Road to Roubaix (Estrada para Roubaix).

O documentário retratando a lendária corrida de um dia, a Paris-Roubaix, na minha opinião, a corrida mais bonita e emocionante do ciclismo, que corta o nordeste da França através de estradas vicinais maltratadas de paralelepipedos, ou, como os locais chamam, pavé (daí vem o nome do doce). Vi o trailer desse documentário em 2008 e fiquei muito ansioso para assistir e, finalmente, essa semana consegui chegar a uma cópia dele.

Sinceramente, me decepcionei com o documentário. O trailer tem uma bela música em cordas, entrevistas com nomes como Peter Van Petegan, Fabian Cancellara, Tom Boonen, mostra realmente a magia do evento e a importância. Já o filme parece com um daqueles modernos documentários cult, muitos takes de estradas, tratores, fazendeiros trabalhando, a mesma música – que se estende por quase toda uma hora e dez minutos de filme -, imagens em preto e branco ou sepia.

Vale denotar tambem a falta de intensidade, pra quem já viu Overcoming, que mostra o desespero do técnico Bjarne Riis dentro do carro, e intercala essas cenas com entrevistas dos ciclistas. Ou o Hollentur que tem uma bela(quase perfeita) cinematografia que, aliada a uma trilha de eletro-jazz, consegue te imergir no ambiente. Road to Roubaix falha em todos esses aspectos.

Possivelmente os diretores podem ter tido algum problema com credenciais para filmarem a corrida, tendo que usar muitas imagens da TV, o que não é nenhuma desculpa para a edição smplista. Mais da metade do documentário são simplesmente profissionais, historiadores e fotógrafos dizendo “A Paris Roubaix é uma corrida difícil” enquanto são mostradas algumas fotos históricas. E após a curta montagem com cenas de corrida, novamente somos relegados a relatos, uma cena de cerca de 5 minutos mostrando os ciclistas tomando banho no vestiário do velódramo, e alguns takes nonsense da vida em Roubaix.

Antes de dar essa opinião assisti o documentário duas vezes e estou vendo uma terceira vez enquanto escrevo este texto. E lhes digo: Road to Roubaix não é um bom documentário e é mais um exemplo de que deveria haver um Oscar para “Melhor Trailer”, já que seu trailer atinge muito mais o objetivo de tocar as pessoas e mostrar a intensidade, magia e historia da Paris-Roubaix do que o documentário inteiro.