Multidisciplinaridade – Parte 2

Chris Sauser se sagrando Campeão Mundial de XCM em 2013 (Foto: EGO-Promotion)

Chris Sauser se sagrando Campeão Mundial de XCM em 2013 (Foto: EGO-Promotion)

Na segunda e última parte da minha série de textos falando sobre a multidisciplinaridade me dedicarei ao Mountain Bike. Das modalidades do ciclismo, talvez seja a que mais possua um constante tráfego entre suas submodalidades. Vejamos.

Começarei com o cross-country. O cross-country (que chamarei apenas de XC) é uma modalidade do MTB bastante peculiar, é peculiar por que ela por si só possui suas variações, a citar: a Maratona, a Olímpica e a Eliminator. Elas entre si são extremamente interligadas, mas isto não evita que elas não possuam seus especialistas que, em alguns casos, acabam se destacando em apenas uma delas. Esse destaque pontual é bastante frequente no tipo Maratona.

Na Maratona, o XC ganha desenhos de enduro, suas etapas com frequência passam dos 100km, assim muitos de seus corredores acabam se especializando. Talvez o melhor exemplo disso é, não um atleta apenas, mas uma equipe inteira, a Bulls. A Team Bulls, como é oficialmente conhecida, é a equipe de MTB da marca de bicicletas alemã Bulls, todo o seu staff de atletas é especializado em provas do tipo Maratona. Talvez o mais famoso deles seja o também alemão, Stefan Sahm, conhecido por ser tricampeão da mais importante prova da modalidade, a Cape Epic. Porém Sahm e outros especialistas não vistos apenas em provas Maratona, mas também em provas Olímpicas de menor porte como copas nacionais e provas locais espaçadas.

Do outro lado, no Cross-Country Olímpico, temos exemplos de vencedores tanto dela como da Maratona, como Christopher Sauser ou as lendas Thomas Frischknecht e Bart Bretjens. A verdade é que especialistas na modalidade Olímpica tem muito mais sucesso no entre modalidades do que os especialistas em Eliminator ou Maratona. Na primeira, tirando Ralph Naef, seus frequentes vencedores dificilmente tem algum grande destaque na modalidade Olímpica ou Maratona.

Adam Craig morde sua medalha de ouro panamericana em 2007 (Foto: O Globo)

Adam Craig morde sua medalha de ouro panamericana em 2007 (Foto: O Globo)

Outra variedade de MTB que vem ganhando bastante força nos últimos anos é o Enduro, o enduro é o que antigamente era conhecido como All-Mountain, ou seja, uma mistura de XC com downhill para explicar por cima. No Enduro vemos uma mistura das mais variadas modalidades: temos Adam Craig, ex-atleta do XCO e campeão pan-americano de 2007; Jared Graves, atleta olímpico de BMX e que também corre downhill e XC; Joost Wichman, famoso por suas atuações no Four-Cross; e por fim, seus especialistas como Jerôme Clementz e Remy Absalon (irmão mais novo de Julien).

Rune Hoydahl no XC da Sea Otter Classic de 2000 (Foto: Dennis McGovern)

Rune Hoydahl no XC da Sea Otter Classic de 2000 (Foto: Dennis McGovern)

O downhil talvez seja quem mais dialoga com outras modalidades: Four-Cross, Enduro, BMX e até XC. Lembro do XC, pois é impossível esquecer do norueguês Rune Hoydahl, único atleta a vencer etapas da Copa do Mundo no XCO e no downhil. É claro, os tempos de Hoydahl eram outros, mas não posso deixar de lembrar que Jared Graves, além de ter sido podium no Mundial de Downhill desse ano, também foi um top 10 do Australiano de XCO.

Absalon e JC Peraud com suas medalhas Olímpicas de 2008

Absalon e JC Peraud com suas medalhas Olímpicas de 2008

Por fim, também não podemos esquecer dos MTBikers que trocaram a terra pelo asfalto como: Cadel Evans, Jakob Fuglsang, JC Peraud e Ryder Hesjedal. Assim sendo, é inegável que o MTB talvez seja a modalidade mais democrática do ciclismo, com seus atletas migrando de uma de suas variedades a outra ou então entre outras modalidades de ciclismo em si.

 

 

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About Danilo Ricco

Fã de ciclismo desde o 12 anos idade, nunca gostou de atletas de linha e é um inveterado torcedor de zebras, especialmente francesas. Começou acompanhando o ciclismo de estrada através das transmissões do Tour pela ESPN que assistia durante as férias de julho na casa de seus avós, com o tempo passou a ser um inveterado fã de MTB, porém nunca fechando os olhos as demais modalidades do ciclismo. Hoje, cursa História na UFF e possui planos de seguir em Ciências Politicas, porém possui o sonho de trabalhar com projetos sobre esporte e política.