Radio Corsa #45

Radio Corsa 45 no ar! Eu Cris da Rocha, Bruno Veiga e Danilo Ricco comentamos os acontecimentos do ciclismo atual, bons e maus.

Quintana Podium - Tour de San Luis 2014 (foto: Graham Watson/canyon.com)

Quintana Podium – Tour de San Luis 2014 (foto: Graham Watson/canyon.com)

Resultados das provas recentes como Tour de San Luis, Volta de São Paulo, Tour de Oman, Volta do Algarve … e o desempenho dos principais ciclistas.

O filme/documentário sobre Lance Armstrong “Armstrong Lie”, pode ser encontrado aqui (não nos fazemos responsáveis por nenhum conflito legal relacionado ao site que disponibiliza o filme).

E o video dos “ataques” de Cadel Evans, comentado também no programa.

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Cycling’s 50 Craziest Stories – Resenha

Mais um livro de ciclismo lido então é hora de compartilhar.

Cycling Crazies Stories - Les Woodland

Cycling Crazies Stories – Les Woodland

O livro em questão é “Cycling’s 50 Craziest Stories” de Les Woodland (ainda sem tradução para o português).

Les Woodland é um francês nascido na Inglaterra (como ele mesmo se define) que tentou a vida como ciclista e, para nossa sorte, continuou sua carreira como escritor de ciclismo.

O livro conta em um estilo muito agradável de se ler, 50 histórias sobre ciclismo de todos os tempos, deste o final do século XIX até fatos bastante recentes. As histórias tem 3 a 5 páginas, o que da uma sensação de “missão cumprida” ao ler cada uma delas, apesar de que não passar para a historia seguinte é simplesmente impossível.

Histórias, por exemplo, contam os truques de Wim van East, o gigante da Bordeaux-paris, usava justo a seus colegas para conseguir bebidas de graça nos anos 50, quando o ciclismo era “clássico”. Ou a verdade por trás das histórias do corrido pelo Barão Henri Pépin de Gontaud, que não era barão, nem muito menos um nobre com serviçais servindo de gregários. Ou quem teria usado pela primeira vez, a famosa camisa amarela que simboliza a liderança na classificação geral do Tour de France, inicialmente vista como “o que? vou parecer um canário na estrada”, e a real razão de sua cor.

Um livro que vale a pena ser lido, possivelmente junto com os outros livros do mesmo autor como “Cycling Heroes: The Golden Years” e “The Olympics’ 50 Craziest Stories”.

O esporte e o doping

8c550ac4-a6a3-47ed-9dd3-53af27ba2971_463x347O esporte, não só o ciclismo, vem sendo assombrado por escândalos de doping nos últimos anos que atingem não apenas quem se dopou, mas toda a entidade esportiva a quem eles representam. Este foi o caso de Lance Armstrong, dos atletas jamaicanos e de César Cielo, mas seria o doping realmente o problema?

O esporte sempre foi regido pelo princípio básico do equilíbrio de condições entre os adversários. Todos, em teoria, estariam em igualdade de condições diante de uma prova e o doping seria um fator que tiraria este equilíbrio. Isto acontece por que o doping, como sabemos, consiste no uso de substâncias melhoradoras de performance física, o que, para alguns, tiraria outro princípio básico do esporte: a força humana. Porém, diante de tais argumentos, poderíamos levantar o seguinte questionamento: o avanço tecnológico de forma desigual não seria então uma espécie de doping mecânico? Frente a isso, voltemos ao doping.

Os últimos tempos tem mostrado que a atual política de “Guerra as Drogas” praticada pela WADA e, especial, a UCI tem se mostrado pouco eficaz, já que, desde então, as suspeitas e os escândalos de dopagem não tem aparentado ter diminuído, mas, na verdade, aumentado. Olhando para UCI, esta política conservadora em relação ao doping tem demonstrado coerência se comparados a política tecnológico da entidade. Porém ainda assim vemos certo descompasso: a utilização de itens em carbono, grupos mais completos e leves, e itens de segurança mais resistentes e leves são sim itens de desigualdade esportiva.

Dentro do cenário WorldTour e ProCont esta diferença não parece ser aparente, mas, quando descemos ao nível Continental, ela já surge. Um exemplo disso pode ser colocado no Tour de San Luis: em sua última temporada de vida, a equipe da Padaria Real tinha suas bicicletas equipadas com o grupo Shimano Ultegra completo, ao tempo em que equipes ProTour e ProCont utilizavam grupos Shimano Dura Ace Di2 completos. Isso já mostra um fator de diferenciação. Porém isso fica ainda mais extremado quando partimos para o suprassumo do ciclismo mundial, o Mundial de ciclismo.

No Mundial ao ponto que vemos Cavendish e sua Venge, vemos ciclistas africanos e asiáticos ainda presos em suas bicicletas de alumínio. Então, pegunto: se o doping torna as coisas tão desiguais assim, onde está a igualdade onde de um lado vemos alguém usando uma bicicleta de 9kg e do outro, alguém usando uma quase 3kg mais leve?

Fica meio lógico que esse descompasso entre a mecânica e o biológico das regras tem muito a ver com os patrocínios e o mercado. A UCI e quealquer outra federação esportiva dependem da visibilidade e interesse pelo esporte para que continuem existindo, por isso, as regras de controle mecânico devem agradar não só quem produz os equipamentos, mas também quem os compra, que sempre está atrás de inovações. O mesmo não se aplica a substâncias melhoradoras de performance, que não atraem publico comprador e nem patrocínio de farmacêuticas ao esporte.

O atual conservadorismo do esporte o impede de ver que as atuais políticas antidopagem necessitam de uma reforma urgente, pois, diante de tal quadro de avanço desigual das condições individuais de cada atleta impede que o esporte corra justo como era a sua intenção. Não faço aqui um pedido de legalização do doping (nem do bloqueio dos avanços tecnológicos), porém, fica claro que não outro motivo que não seja o pensamento arcaico das lideranças esportivas atuais, que fica claro em suas políticas repressivas e não de entendimento com quem de dopa, é que impede que avanços ocorram na área e que os atuais escândalos, não que parem, mas que diminuam consideravelmente.