Clean Spirit – In the Heart of the Tour – Resenha

No espirito do Tour de France, descobri meio que por acaso o filme “Clean Spirit – In the Heart of the Tour“, um documentario filmado dentro da equipe Argos-Shimano (hoje Giant-Alpecin) durante o Tour de France de 2013, no qual o sprintista Marcel Kittel teve uma boa quantidade de sucesso.

Clean Spirit - In the Heart of the Tour

Clean Spirit – In the Heart of the Tour

O filme tem um ritmo de documentário, muito semelhante a Overcoming e Hell on Wheels. O começo do filme gira em torno a Marcel Kittel e John Degenkolb com um discurso meio batido de “estamos limpos”, “corremos limpos”, os dois porém levantam exatamente esta questão dizendo “o problema é que isso também era dito pelos antigos, que não estavam limpos”.

O filme passa para o começo do Tour, na Córsega, com o diretor “Rudi Kemna”, o qual acabava de voltar de uma suspensão “atrasada” por admitir o uso de EPO em 2002, enquanto ciclista profissional. Nesta parte o enredo migra lentamente para uma parte de remédios e vitaminas. Um ciclista para na janela do carro e pede um comprimido de cafeína. O mecânico pega uma grande caixa de remédios e pega o comprimido. O ciclista olha e diz que este é o comprimido errado, que não é o que ele toma usualmente. O diretor olha e confirma que é o comprimido errado. A coisa toda mostra, que mesmo sem querer, o ciclista pode ser “drogado” sem saber.

É muito interessante ver o clima dentro da equipe. A tensão da prova se desenvolvendo em tempo real e como as vitórias de Kittel são celebradas dentro da equipe, realmente como uma vitória de todos. O bom clima na equipe, por outro lado, não impede que a direção e os atletas apontem erros e problemas abertamente. Um exemplo bem claro é a confusão criada quando o ônibus da equipe Orica-GreenEdge ficou preso no portal da linha de chegada. Com o pelotão se aproximando, a direção da prova decidiu mudar a linha de chegada 3 km mais perto. Como o ônibus pode ser removido a tempo, a linha de chegada volta a ser a linha original e o diretor avisa pelo radio “O final é na linha de chegada”. Apesar da vitória de Kittel, a equipe reclama com o diretor no ônibus “O final é na linha de chegada?” “Que p**** é esta? Óbvio que é na linha de chegada!”. A falta de precisão da mensagem poderia ter comprometido o desempenho da equipe.

O enredo muda para a relação com outros ciclistas quando Mark Cavendish derruba, aparentemente de propósito, a Tom Veelers, último embalador de Kittel. Toda a confusão com a imprensa, telefonemas entre Cavendish e Veelers, a opinião dos colegas sobre o acidente, e o impacto físico e psicológico deste tipo de acidente nos ciclistas envolvidos.

Ao contrário de Overcoming, que tem como foco principal o diretor da equipe CSC, Bjarne Riis, o filme mostra a dinâmica interna da equipe, mais do ponto de vista dos ciclistas e o dia a dia da prova. Incluindo toda a carga emocional da alta montanha na cabeça de sprintistas, ou do abandono de um dos colegas, e obviamente o resultado de uma campanha bem sucedida.

O filme vale a pena ser visto. Mas não esqueça de procurar uma versão legendada, uma vez que as conversas acontecem em várias línguas (Holandês, Alemão, Inglês, Francês e Espanhol), como tudo em ciclismo!