Black Bull – De Costa a Costa

Black Bull

Black Bull

Nessa terça (02/05) aconteceu o lançamento do documentário sobre a 5ª e última participação do brasileiro Claudio Clarindo na Race Across America, em 2015. Como anunciamos na página do RadioCorsa do Facebook, o filme “Black Bull de Costa a Costa” teve exibição gratuita na CineSala, em São Paulo, e eu fui lá assistir com a companhia do Leandro Bittar.

O filme de quase 1h de duração mostra a trajetória do atleta e seu staff durante os 12 dias de prova partindo de Oceanside/CA até Anápolis/MD, da costa oeste à costa leste dos Estados Unidos da América. Algo muito marcante é que o atleta, apelidado na prova norte-americana como Black Bull, faleceu em um treino na Rio-Santos em Janeiro de 2016, durante o processo de pós-produção do filme, atropelado por um motorista que atravessou a pista até a contramão.

Nunca tinha visto um relato tão completo de uma corrida de longa distância como a RAAM, e de bônus, seguindo o brasileiro que foi até hoje o único atleta a largar e completar a prova 5 vezes. Mostra desde instantes dos eventos pré-largada até o início da corrida, onde vemos os problemas que os atletas e equipe de apoio passam ao longo dos quase 5.000 km de prova. A separação de cada dia é pontuada por inserções dos bastidores de Clarindo comendo e conversando com sua equipe – composta por amigos e familiares do Black Bull – no motorhome ou carro de apoio. A cada dia que passa vemos a contagem de desistências da prova aumentando e nosso protagonista decaindo, murchando, tendo cada vez menos capacidade de formular uma frase completa. Ao mesmo tempo, se superando e focado na quinta RAAM.

Alguns momentos marcantes são a equipe motivando o atleta a chegar ao próximo ponto de controle quando ele acredita não poder mais, as conversas de toda equipe preocupada com os tempos de corte dos controles e o momento em que Clarindo sofre uma quebra mental e física. Por ser um documentário póstumo eu esperava uma edição pesada, triste e até mesmo piegas. Mas o recorte do diretor Gabriel Rodrigues e sua equipe vai na mão contrária, apresentando um corte até nostalgico, alegre, com momentos impagáveis como a cara de êxtase imensurável de Claudio ao ter uma pedra de gelo colocada sobre sua virilha durante um dos períodos de alimentação, e o apoio de sua família e amigos, correndo ao lado dele em roupas de baixo nas montanhas do Colorado.

Esse equilíbrio entre as cenas de tensão, descontração ou relato formam um media metragem sólido que levou a sala toda a aplaudir dois minutos de pé ao início dos créditos.