Studio 220

Pra quem acompanha nossa pagina no facebook, recentemente tivemos a oportunidade de participar de um evento com Jens Voigt no Studio 220 em São Paulo.

Alem da ansia de conhecer essa grandissima lenda alemã fui ao local com uma duvida, que coisa é essa de Studio 220?

No evento conversei com o pessoal que me apresentou a proposta. A idéia é a de usar toda tecnologia hoje disponivel para auxiliar o ciclista a melhorar seu rendimento. É uma especie de academia especializada com exercicios funcionais e sessões de ciclismo indoor.

O diferencial deles é que o ciclismo não é praticado naquelas bicicletas ergometricas que vemos em academias. O Studio possui equipamentos especificos que dão total liberdade para que o aluno recrie o bike fit da bike que usa em seus treinos “outdoor”. A grande diferença para uma aula comum de spinning e do Studio 220 é que a bike “controla o treino” do ciclista. Todos aparelhos são ligados a um computador com telão que define a intensidade do pedal em tempo real.

Até ai nada de novo, mas agora que vem o pulo do gato. Todos podem treinar juntos, mas o treino é personalizado a cada aluno, baseado em informalões como seu peso, peso do seu equipamento, Limiar Funcional de Potencia, o FTP, que é um valor muito prezado hoje no treinamento das equipes World Tour.

Nesse esquema por mais que eu siga o treino do resto da turma, ele ainda é feito para mim. Voce pode até pedir para que simulem um percurso com variação de altimetria e pedalar, inclusive treinando suas mudança de marcha e pedalada já que todos os aparelhos são equipados de Shimano 105 e pedais Shimano SPD.

Me convidaram a participar de alguns treinos. Desde 2014 não encosto em uma bike achei que seria interessante fazer esse exercicio a partir do zero e topei a experiencia. Toda minha tralha de ciclismo ficou na casa dos meus pais. Providenciei um par de sapatilhas, uma bermuda e dei a cara a tapa(Sim com uma camiseta de pijama)

Cadastraram meus dados e me designaram em uma das bikes, os outros alunos foram chegando e começamos o treino. O FTP dos alunos era variadissimo entre 120 e 250… soltamos o aquecimento do treino. Enquanto voce pedala assiste no telão alguma prova de ciclismo, mas tambem ve a potencia, velocidade, cadencia e a porcentagem do FTP atingido por cada um da turma.

No fim do aquecimento veio um susto, nó cego como sou achei que poderia fazer uma cara feia e fingir pra todo mundo que estava fazendo muita força mas assim que veio meu aviso sonoro a bike ficou mais dificil de pedalar e a barra de esforço que estava verde já passou para vermelho para todos da turma verem minha malandragem. Bom, já que eu já tinha ajoelhado de lycra, me sobrou rezar a padroeira dos ciclistas Nossa Senhora de Ghisallo.

Forcei meu ritmo mas ao contrario do que eu imaginava, não sofri. Como o treino foi montado baseado no esforço em que poderia fazer os unicos problemas que tive foram dores nas costas e no quadril devido a falta de costume de pedalar, a parte de esforço aerobico e pernas tive que fazer esforço por toda 1h de treino, mas não sofri mais do que eu devia.

Todas as aulas são feitas com instrutores com background no ciclismo profissional brasileiro e é bem diferente daquele spinning da academia onde o caboclo sobe numa bike lá na frente e fica gritando num microfone “VAMOS MOÇADA! PEGADA 3! FORÇA TUDO!!!! AGORA FORÇA MAAAAIS! VAMOOO!”. Os intrutores estão focados 100% em monitorar e prestar auxilio aos alunos, checar se o treino não esta muito leve ou muito pesado PARA VOCE, dar dicas de pedalada, postura e afins.

Depois de uma hora pedalando parado sem sair do lugar encarando um monte de numeros e graficos numa tela posso dizer que sai com a mesma sensação de quando fazia um treino na estrada.

Alem de oferecer toda essa experiencia de treino, o Studio 220 é climatizado, oferece emprestimo de sapatilhas a alunos, toalhas durante os treinos e vestiario para ninguem ter desculpa que não tem tempo de tomar ir pra casa tomar banho  a tempo de chegar ao trabalho.

Pra quem tiver interesse em conhecer e tentar o método deles, é só procurar em São Paulo na Rua Alceu de Campos Rodrigues, 341 – Vila Nova Conceição ou em www.studio220.com.br

20 anos sem Ayrton Senna

Sabemos que automobilismo não é ciclismo, mas ambos esportes não são mutualmente exclusivos. Boa parte dos membros do Radio Corsa são efetivamente fãs de automobilismo, e antes de qualquer coisa, fãs de esporte.

Senna com sua McLaren em Mônaco 1991 (Foto: Autosport)

Senna com sua McLaren em Mônaco 1991 (Foto: Autosport)

Como brasileiros fãs de esporte é impossível passar pelo dia de hoje sem fazer referência ao aniversário de 20 anos da morte de Ayrton Senna.

O tema sempre controverso, que divide as audiências entre os fãs de Senna (em parte bastante radicais) e os “anti-Senna” (não menos radicais que os anteriores). As redes sociais hoje já estão cheias de conteúdo dos dois lados.

Senna foi um grande piloto e um herói nacional, isso é indiscutível, especialmente em um pais lamentavelmente tão desprovido de heróis. Senna também foi um ser humano com qualidades e defeitos, de personalidade forte e de uma obstinação sem limites.

Para entender o que foi Ayrton Senna o GP de Mônaco de 1984 mostra seu talento na pista e o especial feito pelos programa Top Gear da BBC as impressões de quem conviveu com nosso ídolo.

GP de Mônaco 1984:

Top Gear – Tributo a Ayrton Senna:

Top Gear – Tributo a Ayrton Senna – Lewis Hamilton pilotando a McLaren de Senna:

MTB e BMX devem sim, ser olímpicos!

 

Recentemente o comentarista inglês Phil Liggett, um dos mais respeitados do mundo, postou em seu twitter que BMX e MTB não deveriam ser esportes Olímpicos, pois a inclusão dos mesmo resultou na destruição do programa de pista unicamente por serem mais excitantes (há controvérsias!) e ainda completou que Barão de Coubertin (pobre homem, deve ter se revirado no tumulo) provavelmente teria dado risadas se dessem a idéia da inclusão do BMX nas Olímpiadas, por mais excitante que seja. Pois bem, falou besteira.

Falou besteira pois Liggett simplesmente esqueceu que o programa de pista olímpico foi destruído por sugestão da propria UCI. Falou besteira pois Cubertin provavelmente aceitaria de braços abertos o BMX. Falou besteira pois o que faz um esporte olímpico não é seu nivel de emoção e sim o seu número de praticantes. Expliquemos cada ponto.

Sim, quem recomendou a exclusão de perseguição individual, kilo/500m contra o relogio, corrida por pontos e Madison foi a UCI, que também aconselhou a colocação de Omnium no programa. A confederação mor do ciclismo recomendou a retirada de tais modalidades para focar mais na igualdade de generos, pois, infelizmente, a “diferença” entre homens e mulheres fica mais evidente em esportes de longa duração (tá, e kilo/500m são muito longos né?) do que nas de sprint, além de que Omnium já engloba todas essas modalidades. A colocação de Omnium também coloca por terra a teoria de que BMX e MTB retiraram as modalidades citadas devido ao tempo, já que Omnium é tão demorado quanto.

Sim, Coubertin teria aceitado o BMX de braços abertos nas Olímpiadas, assim como aceitou esportes como lacrosse, motonáutica e futebol americano. Assim como aceitou uma série de esportes para eventos-teste. E o mais importante, Coubertin não recriou a Olímpiadas apenas para por os esportes de sua preferência, Coubertin o fez para celebrar o esporte, TODOS os esportes.

Por ultimo, o que faz de um esporte olímpico é sua popularidade e não seu grau de emoção. Para se ser um esporte olímpico de verão é necessário que ele seja praticado em 75 países e em 4 continentes e para ser excluído ou incluído deve-se passar por votação. É por isso que vemos baseball e cricket, esportes centenários, de fora das olímpiadas e vemos os recentes BMX e MTB nelas, é também esse o motivo de rugby e golf só serem novamente aceitos nas Olímpiadas em 2016.

Phil Liggett não só falou besteira, mas como foi levemente elitista dando entender que estrada e pista são “esportes superiores” à BMX e MTB simplesmente por preferir os dois. Enfim, que vejamos ainda por muitos anos rodas aro 20, 26 e 29 rodando nas Olímpiadas, pois elas merecem!

Cadê seu deus agora?

 

Essa frase acima é bastante utilizada na internet em sites de humor quando algo bem normal acontece mas você duvida. Alguns dias atras saiu o resultado do doping do Alberto Contador e ele foi punido com 2 anos de exclusão de corridas e a perda de títulos, dias depois saiu que o Jan Ullrich eterno rival do Lance Armstrong também fora punido, mas o alemão já havia se aposentado…

Um brasileiro postou uma curiosidade no seu site em que do último titulo do Lance Armstrong no Tour de France, em 2005, entre os 20 primeiros colocados, mais de 8 foram pegos no doping e são eles: Ivan Basso, Paco Mancebo, Ullrich, Vinokourov, Rasmussen, Landis, Oscar Pereiro, Moreau, Eddy Mazzoleni e outros…

Agora a pergunta, todos eles foram pegos, e até hoje o Lance Armstrong não foi pego. POR QUE?

Todos sabem que sou fã do Lance e tudo que ele conquistou. Ele fez os mesmos exames que todos da época faziam, chegou a correr em 2009-2011 em que foram melhorados e muito os exames anti-doping e ele continuou sem ser pego, muitos falarão de conspirações e tal.

Mas hoje (12/2/2012), aconteceu um fato interessante, após 20 anos, sim VINTE anos, sem fazer um ironman, Lance Armstrong com 40 anos, sim, QUARENTA ANOS, em que muitos já se aposentaram, liderou até o faltarem 500m para a linha de chegada o ironman 70.3 no Panamá… Ele teve média no ciclismo de 41 km/h e na natação 1’01” a cada 100m. Ficou na frente de triatletas consagrados como Chris Lieto, por exemplo.

 

 Lance Armstrong no início da sua carreira de Triatleta

 

Isso é o que? com até 41 anos, sem nada a perder ele continua se dopando? ou é algo que ele desde pequeno sempre foi um atleta de ponta e se cuidou? coisa que muitos atletas aposentados com a idade dele hoje sustentam belas barrigas…

Não é normal um atleta com 41 anos quase ganhar um ironman depois de tudo que ele já fez, mas será que só pelo resultado os especialistas vão dizer que é doping ou é por que o cara treina, se dedica e faz o que gosta?

Cadê seu deus agora?

 

Lance Armstrong tri 2012

 Lance Armstrong no Ironman 70.3 do Panamá

 

Aqui um vídeo do Lance Armstrong com 15 anos num triatlhon profissional… desde os 15 ele se dopa?