Stop at Nothing: The Lance Armstrong Story – Resenha

O mal tempo continuou um pouco mais, então tive tempo de assistir mais um filme, agora “Stop at Nothing: The Lance Armstrong Story“.

Stop at Nothing: The Lance Armstrong Story

Ao contrário do filme sobre Marco Pantani, este é um documentário acusador, com um tom sensacionalista, que mostra a ascensão e queda do mito Lance Armstrong. Podia chamar também “Betsy Andreu e Greg Lemond em: Eu odeio Lance Armstrong”.

O foco principal é a ascensão de Armstrong, desde o início da carreira, com sua personalidade dominante e dominadora, intimidando e comprando seus adversários, junto com o uso dos produtos “mágicos” para melhorar a performance e as estruturas criadas ao seu redor. O padrão de intimidação se repete na eliminação de adversários fora da estrada, a cada acusação, a cada entrevista. Betsy Andreu, Greg Lemond, David Walsh, Emma O’Reilly, Paul Kimmage, …

As pequenas e grandes investigações, como as de 2000 e 2005 e a investigação federal de 2010, encerradas de forma inconclusiva, até que em 2012 a USADA resolve tomar o caso para si e levá-lo até o final, ocasionando a queda de Armstrong, a desqualificação de suas 7 vitórias consecutivas no Tour de France e processos por fraude que se arrastam até hoje.

A melhor definição para o caso, dada por David Walsh, é a do ladrão de banco que rouba milhões do cofre e é apanhado por volta para roubar as moedas dos clientes, em analogia à volta de Lance ao ciclismo em 2009.

A questão em aberto, que é mostrada, mas não de forma explícita no documentário, é como todas as pessoas e organizações mencionadas nas investigações como cúmplices ou coniventes com o esquema de dopagem ainda continuam impunes e na sua maioria ainda ativamente ligadas ao esporte. As cabeças de Armstrong e seu diretor esportivo foram cortadas, alguns atletas envolvidos foram “punidos” e os demais ficaram fazendo cara de Mona Lisa e torcendo para que o sangue dos punidos fosse suficiente.

O filme vale a pena ser assistido, nem que seja para aprendermos quem é quem neste jogo e a reconhecer os padrões de comportamento.

Pantani – A Morte Acidental de Um Ciclista – Resenha

Enquanto o tempo não melhora no hemisfério norte, apesar de ser primavera, treinar no rolo passa a ser a opção mais viável e com isso filmes de ciclismo caem como uma luva para entreter os treinos ainda de madrugada.

Pantani – A Morte Acidental de Um Ciclista

Pantani – A Morte Acidental de Um Ciclista” (Pantani: The Accidental Death of a Cyclist) é um filme feito por fãs do inesquecível Marco Pantani, mas antes de mais nada, um filme sobre ciclismo, personificado na figura de Pantani.

O filme mostra a clássica história do menino apaixonado pela bicicleta e sua trajetória das competições amadoras, carreira profissional e, no caso de Pantani, até o topo do mundo. Mostra um Pantani heróico, autor da última grande gesta, a última dobradinha Giro-Tour e, porque não o fim do ciclismo romântico.

Sem entrar no mérito de Pantani ter ou não se dopado, o filme indica como a sua superioridade teria incomodado o poder estabelecido, seja ele da ala mafiosa das organizações do ciclismo, seja a máfia “real”.

O foco principal do documentário torna-se então o impacto do massacre da média e dos fãs sobre Pantani, após o suposto positivo durante o Giro de 1999. A derrocada do nosso herói e a subsequente desilusão e depressão que teria levado à sua morte em uma overdose de cocaína em 2004.

Sem apontar dedos diretamente ou dar nomes, o filme faz mais perguntas do que reponde. Perguntas que todos os fãs do ciclismo gostariam de ver respondidas.

Vale a pena ser visto.

Clean Spirit – In the Heart of the Tour – Resenha

No espirito do Tour de France, descobri meio que por acaso o filme “Clean Spirit – In the Heart of the Tour“, um documentario filmado dentro da equipe Argos-Shimano (hoje Giant-Alpecin) durante o Tour de France de 2013, no qual o sprintista Marcel Kittel teve uma boa quantidade de sucesso.

Clean Spirit - In the Heart of the Tour

Clean Spirit – In the Heart of the Tour

O filme tem um ritmo de documentário, muito semelhante a Overcoming e Hell on Wheels. O começo do filme gira em torno a Marcel Kittel e John Degenkolb com um discurso meio batido de “estamos limpos”, “corremos limpos”, os dois porém levantam exatamente esta questão dizendo “o problema é que isso também era dito pelos antigos, que não estavam limpos”.

O filme passa para o começo do Tour, na Córsega, com o diretor “Rudi Kemna”, o qual acabava de voltar de uma suspensão “atrasada” por admitir o uso de EPO em 2002, enquanto ciclista profissional. Nesta parte o enredo migra lentamente para uma parte de remédios e vitaminas. Um ciclista para na janela do carro e pede um comprimido de cafeína. O mecânico pega uma grande caixa de remédios e pega o comprimido. O ciclista olha e diz que este é o comprimido errado, que não é o que ele toma usualmente. O diretor olha e confirma que é o comprimido errado. A coisa toda mostra, que mesmo sem querer, o ciclista pode ser “drogado” sem saber.

É muito interessante ver o clima dentro da equipe. A tensão da prova se desenvolvendo em tempo real e como as vitórias de Kittel são celebradas dentro da equipe, realmente como uma vitória de todos. O bom clima na equipe, por outro lado, não impede que a direção e os atletas apontem erros e problemas abertamente. Um exemplo bem claro é a confusão criada quando o ônibus da equipe Orica-GreenEdge ficou preso no portal da linha de chegada. Com o pelotão se aproximando, a direção da prova decidiu mudar a linha de chegada 3 km mais perto. Como o ônibus pode ser removido a tempo, a linha de chegada volta a ser a linha original e o diretor avisa pelo radio “O final é na linha de chegada”. Apesar da vitória de Kittel, a equipe reclama com o diretor no ônibus “O final é na linha de chegada?” “Que p**** é esta? Óbvio que é na linha de chegada!”. A falta de precisão da mensagem poderia ter comprometido o desempenho da equipe.

O enredo muda para a relação com outros ciclistas quando Mark Cavendish derruba, aparentemente de propósito, a Tom Veelers, último embalador de Kittel. Toda a confusão com a imprensa, telefonemas entre Cavendish e Veelers, a opinião dos colegas sobre o acidente, e o impacto físico e psicológico deste tipo de acidente nos ciclistas envolvidos.

Ao contrário de Overcoming, que tem como foco principal o diretor da equipe CSC, Bjarne Riis, o filme mostra a dinâmica interna da equipe, mais do ponto de vista dos ciclistas e o dia a dia da prova. Incluindo toda a carga emocional da alta montanha na cabeça de sprintistas, ou do abandono de um dos colegas, e obviamente o resultado de uma campanha bem sucedida.

O filme vale a pena ser visto. Mas não esqueça de procurar uma versão legendada, uma vez que as conversas acontecem em várias línguas (Holandês, Alemão, Inglês, Francês e Espanhol), como tudo em ciclismo!